Da rapadura à produção da cachaça Hoje existem 52 engenhos ativos na Paraíba, segundo dados do Sebrae-PB
Com uma construção bem rudimentar, o Engenho Lagoa Verde, localizado em Alagoa Grande no Brejo paraibano, foi um dos grandes fabricantes de rapadura no passado. Suas moedas fizeram a riqueza de pelo menos quatro senhores de engenho. O declínio do setor rapadureiro levou proprietário do engenho Otávio Lemos criar uma cachaça em 1946, e assim dividir a produção da rapadura com a aguardente. O tempo passou. Até que o neto de Otávio Lemos, Vicente Otávio Neves Lemos, assumiu o engenho em 1982, e logo resolveu interromper a produção de rapadura. Com outra mentalidade bem diferente dos antigos senhores de engenho, Vicente Lemos decidiu investir na cachaça Volúpia, e entrou no mercado com força total consolidando a marca criada por Otávio há 64 anos. Começa hoje uma série sobre os engenhos paraibanos e seus produtos. A segunda matéria será publicada amanhã.
Mais de 30 marcas de cachaça são produzidas em 14 municípios do estado, sendo a maior parte no Brejo. A maior barreira segundo o "senhor de engenho" moderno foi derrubar o preconceito, e elevar a cachaça a condição deuma bebida saborosa e consumida por todos. E a fórmula parece que deu certo. A cachaça tida no passado como bebida de pobre, virou produto de luxo. Na última safra o engenho Lagoa Verde que chega na sexta geração preservando glórias, riqueza e memória, produziu 180 mil litros de cachaça de alambique.
Produzida desde 1946, em Alagoa Grande, a Volúpia foi considerada pelos especialistas como uma das mais macias e suaves por descansar em tonéis de freijó antes de ser engarrafada, dividindo o ranking com a Serra Limpa e Serra Preta, todas fabricadas no Brejo paraibano. "Para mim é um orgulho receber essa colocação, significa que nosso trabalho está sendo feito de forma correta, com qualidade", disse animado Otávio Lemos, proprietário do Lagoa Verde e detentor da marca Volúpia.
O engenho Lagoa Verde é apenas um de tantos que aderindo a modernidade, substituíram a produção de rapadura pela cachaça de alambique. Outros mantiveram a tradição da rapadura, mas só se mantiveram funcionando graças à fabricação da aguardente.
Dados do Sebrae revelam que hoje existem 52 engenhos ativos na Paraíba com produção da cachaça e da cana. Destes, 25 integram a Cooperativa de Produtores de Cana-de-açúcar e Derivados da Paraíba, criada no primeiro semestre de 2009 com produtores de 8 municípios. Trinta e um deles integram a associação da categoria. "Mas existem outros na região que não são da cooperativa", disse o presidente da cooperativa, Jordani de Araújo Medeiros. O engenho Cachoeira pertencente a Jordani ganhou o mercado com a marca Turbalino da Serra.
Das mais de 30 marcas de cachaça produzidas na Paraíba em 14 municípios paraibanos, 50% são fabricadas em engenhos situados no Brejo Paraibano. Os dados integram levantamento preliminar do projeto de cachaça de Alambique no Brejo Paraibano, que é articulado pelo Sebrae. O engenho Triunfo é um deles. O maior de todos, no entanto, fica no litoral. É o São Paulo, localizado em Cruz do Espírito Santo e que, em época de safra, chega a empregar duzentas pessoas no corte e na moagem dacana.
De acordo com o levantamento, o segmento comercializou no ano passado mais de 4,2 milhões de litros de cachaça em vários municípios paraibanos. Só o engenho São Paulo produziu cerca de 2 milhões de litros da bebida. A garrafa branca é um sucesso no mercado, segundo garante o proprietário.
(Diário da Borborema - 07.03)