Indústria de óleo é novo mercado para produtorAcostumada a comprar amendoim de qualidade inferior, a indústria de óleo está mudando seu padrão de exigência. Se antes o valor pago pelo amendoim para óleo era pouco atrativo, hoje ele se equipara ao pago pela indústria alimentícia. "No ano passado o valor foi o mesmo, entre R$ 14 e R$ 18 a saca", diz o gerente comercial de uma exportadora de óleo de Pompeia (SP), Oscar Matsubara.
"Antes, ficávamos com o resíduo. Agora, só compramos amendoim de primeira." Só quatro empresas, três em São Paulo e uma em Minas, exportam óleo de amendoim. "É um mercado com boa demanda."
No ano passado Matsubara calcula que a indústria de óleo absorveu 47% da produção. "A cada ano, esse volume vai aumentar." Europa e Ásia, os principais mercados, são exigentes e o óleo exportado pelo Brasil, obtido de matéria-prima de baixa qualidade, estava perdendo competitividade. O óleo de amendoim é nobre e de valor bem acima do de soja. O preço internacional do óleo bruto está em US$ 1.250 a tonelada.
Início de safra
No campo, produtores estão animados com a safra de amendoim que começou a ser colhida. Além da boa qualidade dos grãos, o preço da saca está maior em comparação ao ano passado. Segundo o produtor José Nilton dos Santos, que possui 500 hectares em Paraguaçu Paulista (SP), a saca de 25 quilos do amendoim rasteiro está entre R$ 20 e R$ 22; no ano passado, variou de R$ 14 a R$ 16. "Pretendo colher 32 mil sacas, mas tenho de esperar, pois a colheita vai até abril."
O aumento do preço é atribuído à menor oferta. No ano passado a indústria de óleo absorveu boa parte da safra. "Também houve redução de 20% da área plantada, por causa do atraso na colheita da cana e baixo preço da saca na safra passada", diz o vice-presidente do setor de amendoim da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Renato Fechino. "A expectativa este ano é positiva. O amendoim é um dos snacks preferidos em eventos festivos, como a Copa do Mundo", diz Fechino.
O produtor Nilton Luiz de Souza, de Jaboticabal (SP), diz que o excesso de chuvas não comprometeu o rendimento. "A produtividade aumentou e está entre 230, 235 sacas por hectare. No ano passado a média foi de 225 sacas por hectare", diz Souza, que possui 200 hectares de amendoim. "A qualidade também está boa, com grãos bem formados. Numa saca de 25 quilos, tiro 20 quilos só de grãos." Se essa média de rendimento se mantiver, Santos deve colher 47 mil sacas de amendoim.
"A produtividade no ano passado foi de 165 sacas por hectare; este ano deve chegar a 185 sacas/hectare", diz o agrônomo Paulo Henn, da Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona do Guariba. Há dois anos, a cooperativa exporta para a Europa amendoim branco, inteiro e sem película. "Isso gera um valor agregado de US$ 100 por tonelada", diz Henn. A filial em Jaboticabal da cooperativa é a maior processadora e exportadora de amendoim do país, com 2,1 milhões de sacas recebidas/ano.
(O Estado de SP, 3/3)