Milho a preço abaixo do mercado alivia criadores do sertão de Pernambuco

Já são quase seis anos de seca severa. Izabel Santana, criadora de animais, perdeu boa parte do rebanho. Das quase 100 cabeças de cabras e bodes, restaram pouco mais de 60. A propriedade dela fica em Petrolina, no sertão do estado. Os animais morreram por falta de pasto, incluindo a mãe desses cabritinhos. “A gente dá uma mamadeira pra salvar eles. Divide pra quatro, porque eles não têm mãe e não têm como sobreviver”, afirma.

O criador Geraldo Retrão enfrenta a mesma situação. Se não fosse o milho, os animais estariam passando fome: “O milho eu tô dando pras ovelhas, pras cabras e pro gado, junto com farelo de trigo e torta de algodão. A silagem é para os porcos. Eu cozinho o milho, que fica melhor”.

O milho que tem alimentado os animais de Geraldo só tem chegado à propriedade porque ele está conseguindo comprar por um preço bem abaixo do mercado. Geralmente, uma saca de 60 quilos custa, em média, R$ 70. Mas para o criador tem saído por R$ 33 desde o mês de junho.
O produto subsidiado é vendido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), através do Programa Balcão do Milho. Para a região de Petrolina estão disponíveis oito toneladas e cada criador pode comprar até 70 sacas.

Não falta mais milho para as galinhas da criadora Marineide Mariano de Souza, que tem cerca de 300 aves. Ela já teve mais de duas mil, mas não tinha o que dar de comer. “A gente estava comprando milho de R$ 80 o saco. Não dava não… Nós tivemos que vender porque não tinha como a gente manter as aves”, lamenta.
Os dados da Adagro, a agência de fiscalização e defesa agropecuária de Pernambuco, mostram que o rebanho do estado foi reduzido em mais de 400 mil cabeças, a maior parte morreu por causa da seca.

(Globo Rural)