Brasil avança na criação do Centro de Sínteses em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos

Compreender a complexidade ambiental e outras dimensões dos sistemas ecológicos exige uma abordagem holística que só pode ser alcançada por meio da identificação, recuperação e síntese de dados de fontes diversas; do intercâmbio entre pesquisadores das mais diferentes áreas; e de muita investigação. Essa é a ideia central que motivou agências de fomento à pesquisa e cientistas a conceber o Centro de Sínteses em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos do Brasil.

Um passo importante para a implementação dessa iniciativa foi dado na semana passada, com o primeiro workshop do Centro, que reuniu por três dias pesquisadores de todo o país e representantes de diversas instituições governamentais e não governamentais com atuação na área de meio-ambiente. O encontrou contou ainda com a participação dos Diretores dos Centros de Sínteses dos Estados Unidos (SESYNC), da França (CESAB), da Alemanha (iDiv) e da Inglaterra (EOS), que apresentaram suas experiências na criação e na coordenação dessas organizações.

No encontro, os participantes discutiram a atuação do Centro brasileiro a partir de quatro tópicos principais: 1) Missão, visão, objetivos e estratégias para gestão, avaliação e monitoramento da implementação do Centro. 2) Parcerias Nacionais e Internacionais; 3) Mapeamento de atores a serem envolvidos e estratégia de comunicação; 4) Desafios e demandas para sínteses.

Nesse cenário, os centros de análise e síntese aparecem como ferramentas efetivas e indispensáveis para avaliar e integrar dados, trazendo sempre um novo valor ao conhecimento gerado regionalmente, facilitando o uso desse conhecimento para a elaboração de políticas públicas efetivas e geração de soluções.

Para a implementação do Centro no Brasil, são planejadas três fases: implementação, estrutura simplificada e estrutura consolidada. “Esse planejamento cuidadoso incluindo etapas em seqüência nos permitirá avançar com segurança para o estabelecimento de um Centro de excelência que possa ser uma referência nacional e internacional para sínteses em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. É preciso garantir o envolvimento de diversas instituições atuando desde o fomento da pesquisa, passando pela definição de políticas públicas até a sua implementação para que possamos fortalecer a ponte entre a ciência a tomada de decisão na área ambiental. Nesse sentido, iremos continuar a dialogar com os diversos atores que devem e querem fazer parte dessa iniciativa, em um processo de construção coletiva”, aponta Marcelo Morales, do CNPq.

Presente no workshop, a pesquisadora Flavia Costa, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA) acredita que o Centro de Sínteses é uma maneira de fazer com que as informações que ficam dispersas possam ser agregadas de uma maneira útil. “É uma diferença entre ter dados e ter conhecimento. O governo não quer ter dados, o governo quer ter conhecimento para solucionar os problemas nacionais. Nós como comunidade cientifica, queremos influenciar a tomada de decisões, porque nós somos um grupo que, às vezes, provê soluções mas muitas vezes contrapõe decisões de governo, e se nós não tivermos força para demonstrar que o conhecimento cientifico é sólido, nós perdemos nas negociações”, conclui.

O evento contou com uma participação expressiva da comunidade científica da área. “É importante saber que estamos buscando construir coletivamente um Centro onde a comunidade se veja bem representada. Então buscamos ter nesse primeiro encontro um bom equilíbrio regional e de gênero e o resultado foi muito satisfatório. Pudemos observar uma grande motivação e convergência de proposições”, analisa Marisa Mamede, do CNPq.

A professora da Universidade de Brasília, Mercedes Bustamante, uma das organizadoras do evento, defende que a criação do Centro é extremamente significativa para o Brasil, em especial quando pensamos na responsabilidade que o Brasil tem na conservação da sua biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos que essa biodiversidade gera não só para o Brasil, mas para o mundo. “Hoje nós somos o país com maior biodiversidade, nossa responsabilidade em conservá-la é planetária. Então, um Centro de Síntese como este nos vai dar a oportunidade de consolidar o conhecimento que nós já temos, e a partir desse conhecimento produzir novos conhecimentos e gerar respostas que a sociedade precisa. É uma excelente oportunidade para nós podermos avançar muito mais rapidamente no caminho do desenvolvimento sustentável”, afirma a professora.

A iniciativa já conta com o envolvimento de instituições como Capes, FAPESP, CONFAP e MMA, além do CNPq. Diversas outras instituições com atuação na área de meio-ambiente e cooperação internacional também estiveram presentes no evento.

Coordenação de Comunicação Social CNPq